quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Sobre aqueles que ninguém fala: Os loucos.

Tudo que é novo, desperta, concomitantemente  curiosidade e aflição, ambos por não sabermos o que está por vir. Nós, estudantes de psicologia - ou de qualquer curso da área da saúde - , empolgados com o primeiro momento prático do curso, quando chamados para intervir através do Plantão Psicológico no Centro de Atenção Psicossocial(CAPS) não imaginávamos sequer as histórias que dali iriam surgir, a princípio, estávamos ansiosos para ver como seria na prática tudo o que vemos em sala de aula e qual é a realidade de uma instituição psiquiátrica.

No primeiro momento ao chegarmos lá, cremos que todos foram abordados pela Juliana, uma jovem de apenas 19 anos, um tanto serelepe e bastante carismática. Ela nos apresentou a instituição, os nomes de todos que estavam ali e logo nos chamou para cantar e dançar, sua necessidade de expressar o seu modo de ser no mundo era gritante, portanto, aceitamos o seu convite e aos poucos conhecemos sua história. Mal sabíamos que ela nos acompanharia durante um mês e meio e até nos ajudaria nos atendimentos sendo a "nossa repórter", como ela mesma dizia, nos ajudando nas "entrevistas fazendo anotações" e, com seu jeito contagiante abrilhantou a breve passagem dessas jovens estudantes.

Aos poucos fomos conhecendo todos que frequentavam esta instituição, alguns rostos se tornaram comuns, cara novas apareceram, mas as incertezas, como estudantes eram sempre as mesmas:  Como iríamos saber era a fronteira entre o delírio e o real? Como não sermos manipulados? Como abordar aquele mais hostil? O que falar para aquele desesperado? Como se esquivar de perguntas pessoais? O que fazer ao certo não sabíamos, seguimos nossos instintos e o conselho de Edmar de Oliveira no livro Ouvindo Vozes: "era preciso colocar a doença entre parênteses para que o paciente fosse visto."

A sagacidade e inteligência dos caracterizados pelo DSM-IV como Esquizofrênicos e portadores de Transtorno Bipolar era de impressionar, com conversas extremamente envolventes falavam de  que não teóricos da própria psicologia com convicção. Mas também, tinham aqueles possuíam um discurso coerente em momento algum, as ideias deles fugiam a todo instante, era difícil manter o contato visual e entender o que estava sendo dito, porém nos forçávamos a escutá-los e a compreender o que se passava pela sua cabeça, porque assim estávamos possibilitando uma certa abertura a ele.

Mais difícil ainda foi escutar os relatos daqueles que estavam em desespero. Os chamados depressivos, uma doença dita como "banal nos dias de hoje", quem diria, nos causaram o maior impacto. Relataram do quão inaceitável é a morte de ente querido e a impotência do ser humano diante dela, queria voltar ao passado, fazer diferente, porém não podiam, o luto permanecia naquelas pessoas após anos do falecimento de algum amigo ou parente. As histórias de amores também eram uma constante, muitos não aceitavam terem sido substituídos por novos amores, ou terem sido deixados após relacionamentos duradouros, estavam perdidos porque sua existência estava baseada no outro. Assim, essas pessoas relatavam o motivos para desgostarem tanto da vida a ponto de quererem se suicidar das mais diversas formas.

Ainda tinham os ditos portadores de Transtornos Obsessivo-Compulsivo, os quais nos mostraram que atrás daquela vontade de ter tudo extremamente organizado, limpo e perfeito, existiam pessoas que se sentiam culpadas por serem imperfeitas, uma grande ironia a uma característica inata do ser humano.

Por vezes, compreender como se dava a lógica deles era muito difícil, mas mesmo assim, escutávamos suas histórias de vidas reais e imaginárias para que assim tivessem uma oportunidade de desabafo e alívio de sofrimento. Ao final, recebíamos uma abraço e um "Obrigado" bastante sincero, ou até mesmo, voltavam na semana seguinte só para dizer que tinham voltado a tocar violão após a conversa conosco, ou nos chamavam para tomar um chá em sua residência. Então, compreendemos que o nosso esforço tinha sido recompensado e tínhamos feito o nosso dever, escutamos o sofrimento do outro e permitimos um pouco de abertura para o mundo, já que a maioria os ignora chamando-os de loucos.






**Juliana é um nome fictício.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Cri cri do ser Adulto

Infelizmente. Ninguém faz nada pra ninguém pelos outros, e sim por satisfação própria.
Quer que eu te prove?(Me fodi, já sei!)
Você faz um trabalho voluntário, certo? Algumas pessoas fazem para desencargo de consciência: "Sou cristão, preciso fazer boas ações para entrar no céu, blábláblá..." Tem toda uma cultura cristã por trás desse discurso, percebe? Outras, fazem por que se sentem bem fazendo trabalhando daquela forma, independente do credo, mas mesmo assim acabam no clichê cristão enraizado na sociedade, é praticamente impossível de escapar. E tem uns poucos, que trabalham voluntariamente porque sabem que aquelas pessoas realmente precisam da sua ajuda e não irão sair daquela inércia se não tiverem uma mãozinha? No caso dessa terceira pessoa, ela tá fazendo pelo outro ou por ela? E aqueles que não fazem nada, simplesmente, porque dizem que são falsos moralista e sei que lá das tantas? 
As pessoas são extremamente egoístas, principalmente quando viram adultos. Poucos são aqueles que conseguem a suprema bondade de ajudar os outros por pura bondade e sem esperar algo em troca. A vida é repleta de reciprocidade, e é melhor aprender a conviver com ela. Ou vai lá receber um "Obrigada" e não dizer um "De Nada" em troca para ver se a pessoa faz algo para você de novo, haha, sentá lá claúdia.

Bem, queria poder dizer o contrário, mas me obrigo a falar a verdade.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Carta de desabafo padrão.

Sabe o que me irrita muito? É essa necessidade de ser igual, sabe? E se você não for, pode ter certeza absoluta que você é pior que o bicho papão.
 Quem disse que era obrigado "esperar alguma coisa de um sábado a noite"? Não posso simplesmente ficar em casa assistindo um filme, ou vendo bobagens na internet? Preciso realmente me vestir com um vestido coladíssimo para que homens se sintam atraídos por mim? Assumir uma opinião diferente dos demais é algo realmente tão agressivo? Por que? Só sou normal se fizer o que todos fazem sempre? Escolher andar a pé causa tanta impacto, porque? Ver alguém que tem o mínimo de critério ao escolher uma música é estranho né? Uma pessoa que para pra refletir suas atitudes é realmente melancólica?
É chato né ver alguém que sabe dizer Não quando você só sabe dizer Sim.
Mas, sabe o que é mais chato ainda? Ver que você é considerado quase um alienígena porque você tem uma opinião um pouco diferente dos demais. Poucos dão a cara a tapa e fazem isso, e quem o faz, saiba que você tem a minha profunda admiração, porque fácil não é.
 "Não poder se opor a dor é relevar a si"

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O clássico.

"- Eu não acredito, as flores são fracas e ingênuas, defendem-se como podem. Como enfretariam o mundo sem os espinhos que a protegem?
- Eu estou tentando fazer uma coisa importante aqui...
- Importante? Há milhões de anos que as flores fabricam espinhos, e há milhões de anos que os carneiros as comem. E, apesar de tudo, não terá importância guerra dos carneiros e das flores?
- É claro que sim!
- Eu por minha vez conheço uma flor única no mundo, que só existe no meu planeta e que um belo dia um carneiro pode liquidar num só golpe. Você acha que isso não tem importância?
- Err...Imagino que sim.
- O que vc nao entende é que se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar e milhões e milhões de estrelas no céu, isso basta pra que esse alguém seja feliz quando a contempla. Ele pensa: "Minha flor está lá, em algum lugar". Mas, se o carneiro come a flor é pra ele, bruscamente, como se todas as estrelas se apagassem. Isso não tem importância? Isso não tem a menor importância pra você, né?"



Uma dica pra vida: nunca abra mão dos clássicos, eles podem até ficar na penumbra por um tempo, ou usados demais em outro, mas sempre serão necessários e dirão boas verdades.

domingo, 4 de setembro de 2011

Lições do Walt Disney.

[...]
Simba: -Eu só quis ser valente como você!
Mufasa - Só sou valente quando é preciso ser. Simba, ser valente não é se meter em apuros.
Simba: - Mas você nunca tem medo de nada!
Mufasa: -Eu tive hoje!
Simba: - Teve?
Mufasa:  - Achei que ia perder você hoje...
Simba: -Ah, então até os Reis tem medo é?
Mufasa: - Unhum


domingo, 12 de junho de 2011

Querem comparar as pessoas. Ora, se cada indivíduo é único porque uns com os outros? Só se comparam os iguais. Sociedade abestada que está presa a amarras invisíveis. Seria bem melhor se deixassem de olhar as pessoas e passassem a vê-las. Bem melhor seria se enxergassem as diferenças como singularidades nos fazem seres plurais capazes de inúmeras facetas.



"Só sei que os homens não me vêem, apenas me olham."

Marilyn Monroe

terça-feira, 7 de junho de 2011

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!


Ou seja, há uma descarga de adrenalina no sangue, as sinapses se aceleram, testa enrugada, força abrupta nas mãos, a raiva impulsiva toma de conta do indivíduo, os olhos enchem de lágrimas subitamente, somos despidos dos valores morais e sociais, voltamos a selvageria animalesca e, por fim, sabe quando você engole a seco aquela besteira que foi dita? Pronto, pois é...essa última besteira não é engolida e você escuta aquilo que menos queria em toda sua vida, simplesmente porque achou que deveria falar o que lhe viesse na cabeça pra satisfazer as suas vontades. 

Há 19 anos colocaram na cabeça dela que ela só deveria discutir com alguém quando a raiva passasse, já que nessas horas os homens, geralmente, não respondem por si e falam absurdos que nunca imaginariam dizer vida. Mas, um dia ela ouviu dizer que se ficasse calada sempre nessas situações podia ser que não fizesse valer as suas vontades, já que existem pessoas que só respeitam os outros através da força, os coitados, não aprenderam que através da conversa dialogada conquistada pelo afeto. Então ela aprendeu a ponderar e escolher quais seriam essas pessoas que merecem suas explosões e as que não mereciam, concluiu que os seres humanos são seres difíceis de conviver, daí resolveu estudar o que se passa nas suas mentes, quando descobriu a (in)existência da mesma e todas as suas nuances foi quando ela se apaixonou pela espécie humana e compreendeu que os seres humanos são como são e você deve aceitá-los assim, por isso é que deveríamos nos adaptar a cada pessoa e não situação.





Post-scriptum: Entendeu porque o do "faltadelexico" ?