"Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
(...)Já conheço as pedras do caminho..."
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
(...)Já conheço as pedras do caminho..."
(Retrato em Branco e preto - Chico Buarque)
Todos nós sabemos muito bem o que fazer para conseguir os nossos desejos. O que vem ao caso é: já conhecemos os passos dessa estrada, sabemos os erros os quais vamos cometer ao seguirmos por ela, assim como, dos deslizes que irei cometer, do insucesso que vou alcançar, que no final vamos ter noção dos nossos erros e acertos, assim, batemos a cara na parede, machucamos a cabeça, choramos até não querer mais, dizemos que nunca mais vamos cometer o mesmo erro de novo, ficamos dias nos escondendo das pessoas, começamos a próxima etapa de cabeça erguida dizendo que dessa vez vai ser diferente, que não vamos persistir no erro, que dessa vez vai dar certo. Então, começa essa nova etapa, porém, nada muda. Tudo está igual. Os erros que cometemos são os mesmos de sempre. Não nos focamos na nossa força de vontade, parecendo até que não nos lembramos do quanto doeu aquela pancada. Mas, a gente sabe que doeu e muito. Sabemos que se continuarmos a repetir o passado o resultado será o mesmo, o fracasso, o choro, a dor, vergonha, humilhação dessa vez se multiplicarão por dois, três, ou quatro vezes(dependendo da situação de cada um). Sabemos também, que persistir no erro é burrice, como também, que burro, nós não somos. Então, por que insistimos em persistir no erro?
Talvez, porque o medo faz moradia em nós. Acredito que essa seja a resposta mais convincente para isso. Preferimos persistir no erro a arriscar só por que não sabemos o que nos espera na outra estrada, o medo do incerto toma o lugar da coragem. Bendita prudência egoísta que nada arrisca... Coisa de brasileiro, ser conservador. O brasileiro, realmente, não desiste nunca(de persistir no erro!).
É nessas horas que eu tenho raiva de ser brasileira, se eu fosse americana, japonesa, koreana, finlandesas... Não tinha essa besteira de ser conservadora. Apostaria mais no novo, incerto, brincaria com a sorte, ousaria mais facilmente. Tudo em nome da vitória, em nome da honra. E se a batalha não for vencida, derrotados eles não saem, porque eles perderam hoje... amanhã é outro dia. A luta continua até mesmo quando não há mais chance de vitória, a esperança continua acessa neles no meio da escuridão, porque a honra não os deixa sair da batalha derrotados. E quando saem fracassados, na próxima batalha, a força de vontade para fazer diferente, mudar para melhorar, de saírem vitoriosos é muito maior do que o medo de perder. Afinal, não há nada mais deprimente do que ser derrotado pelo medo, ou melhor, pela falta de coragem. É humilhante, desprezível, chega a dar nojo...!
É agora que retorno ao início deste texto. Sei muito bem o que fazer e o que não fazer para conseguir, ou não, os meus anseios. Provavelmente, você também sabe. Mas, a questão é porque não usamos essas fórmulas para alcançar nossos objetivos? Por que insistimos no erro? Por que permanecemos nessa estrada que não nos leva caminho nenhum? Que dói cada vez mais que nos machucamos, justamente por sabermos o caminho certo e insistirmos no errado. Porque nos esquecemos do que nos mantém de pé todos os dias de manhã, dos nossos valores, princípios, de levantar pela manhã e dizer a nós mesmos que aquele será um novo dia, do por que você quer aquilo( ou se desprender disto), do quanto faz mal a dor da derrota. E, ao dormir, também nos esquecemos de fazer um exame de consciência e analisarmos o que foi bom no nosso dia para podermos repetir e do que foi ruim para extrairmos da nossa vida. Todos os dias nos esquecemos de quem somos, porque merecemos gastar o oxigênio da Terra, dos nossos sonhos adormecidos...Se nos lembrássemos de quem somos todos os dias, provavelmente, o novo não nos soaria estranho, uma vez que teríamos coragem de arriscar, coragem vinda de nós mesmos, portanto, com mais força, verdade e vontade, assim, o sucesso seria apenas uma conseqüência( não quero excluir a possibilidade da derrota, ela também existe, e, caso ela aconteça, antes dormir arrependido do que na vontade).
