Nela existia uma angustia descomedida. Virgínia, descobriu a impotência da sua independência quando percebeu que nenhum ser conseguiria ser onipotente em relação a ser independente, o que existia eram lapsos de independência. Havia pequenos momentos na vida em que ela conseguia não depender de ninguém, porém nos demais, apesar de não aparentar, ela dependia de alguém sim, até por que o ser humano por mais que não queira é um ser sociavel que receia a solidão e necessita, de no mínimo um dos extremos: viver em situação de bando ou com apenas mais um da sua espécie, até porque longe do seu contexto natural ele tende a voltar a ser um homo sapiens e não um homo socius, como é hoje. E, se tinha uma situação, que Virgínia não poderia suportar era a de retorno ao estado primitivo, uma mulher como ela que conseguira atingir o "ápice da independência" não concebia isso em sua mente.
Assim, para se livrar dessa ansiedade por coisa alguma, Virgínia, se meteu em uma balada sozinha- "viveu em bando" bebeu todas, pegou o homem que todas ansiavam, e voltou para casa as cinco horas da manhã em plena sexta-feira. Seu final de semana começou na quinta-feira, as vinte e uma horas e só terminara no domingo as 21 horas assistindo Pânico na TV, sozinha em casa como em outras vezes. Não adiantou nada ela ter feito tudo que fez, no final a inconstância sempre voltava e ela ficava sem saber como contornar isso dentro de si.
Muito ingênua, Virgínia desconhecia um dos milhares de segredos da vida: por mais que a situação de bando seja maravilhosa em alguns momentos, na maioria deles, não é ela que conforta os seres humanos, e sim a companhia de pouquíssimas pessoas que nos faziam felizes em sua plenitude.
A partir desse dia, Virgínia resolver voltar para a casa dos pais.